Hábito da leitura: a importância das bibliotecas nas escolas

11 de março de 2020


O hábito da leitura se adquire na prática. Ainda que o professor tenha papel fundamental na formação do estudante, nada se equipara à experiência empírica. O pontapé inicial é dado em sala de aula, mas o gol só acontece quando o estudante se identifica verdadeiramente com o livro que tem em mãos.

Não é à toa que escolas possuem bibliotecas ou salas de leitura à disposição dos jovens. O que se faz necessário relembrar neste dia dos bibliotecários, por outro lado, é que tal realidade ainda não anda exatamente a vento em popa.

O déficit das bibliotecas

A realidade das bibliotecas nas escolas estaduais foi analisada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE), que realizou uma pesquisa em 2018, com resultado divulgado em 2019. O estudo apontou que 32,4% das instituições de Ensino Fundamental – Anos iniciais não contam com um espaço para leituras ou locação de livros. Isso equivale a aproximadamente 3 a cada 10 escolas.

No comparativo entre 2014 e 2018, o índice de escolas de todos os ciclos de ensino que não possuem bibliotecas ou salas de leitura cresceu 25%. Já as salas de informática apresentaram um aumento de 6% no mesmo período.

Brinquedotecas, salas de leitura e bibliotecas

Em entrevista ao Agora São Paulo, o professor e coordenador do curso de pedagogia da Universidade Mackenzie, Ítalo Curcio, relembra que as bibliotecas nas escolas são ambiente essenciais para se assegurar o mínimo previsto pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. “A biblioteca surge para substituir a brinquedoteca, conforme as crianças crescem. Não é um luxo, é o ideal, o básico”, reforça.

A ausência de bibliotecas, mais do que defasar o aprendizado do estudante, também atrapalha o desenvolvimento do hábito da leitura em crianças e jovens. Sem esses espaços, cabe ao professor tomar a iniciativa de difundir livros em sala de aula. Essa ação, entretanto, não pode ser obrigatória: nem todos os docentes possuem condições ou possibilidade de adquirir uma quantidade considerável de livros.

“Na escola há, também, a presença do professor, que pode levar os estudantes para a área da biblioteca e ensinar a procurar livros, a fazer consultas. Isso promove a iniciativa própria do estudante, faz com que ele crie o hábito da leitura. Se não há esse ambiente na escola, a formação passa a ser incompleta”, conclui o professor.

Assim, cabe à família do estudante arcar com gastos com literatura ou com o deslocamento até bibliotecas públicas, o que nem sempre é possível, principalmente quando lidamos com comunidades de baixa renda. Sem bibliotecas nas escolas, o hábito da leitura pode se perder. 

A necessidade do hábito da leitura

O incentivo ao hábito da leitura ainda nos anos iniciais do Ensino Fundamental é essencial para a criação de jovens leitores, o que será imprescindível no Ensino Médio. É nessa época que o estudante terá contato mais aprofundado com os clássicos da Literatura Brasileira, seja devido à grade currIcular ou pela leitura obrigatória de vestibulares e exames como o ENEM.

Isso é perceptível quando analisamos os livros mais emprestados nas bibliotecas públicas. Na cidade de São Paulo, por exemplo, 12 dos 30 livros mais requisitados de 2019 são clássicos da Literatura Brasileira, sendo que quatro deles ocupam os cinco primeiros lugares do ranking. Dos nove livros obrigatórios pela Fuvest, por exemplo, cinco estão na lista de mais emprestados.

Dessa forma, trabalhar o hábito da leitura ao longo do Ensino Fundamental é essencial para o desenvolvimento da fluidez de raciocínio e pensamento crítico, sem os quais tais leituras obrigatórias se tornam vazias. É na leitura que o estudante aprende a se comunicar e a escrever melhor, a compreender a sociedade e o meio em que vive. Descobre aspectos históricos e políticos de diversos países e desenvolve o pensamento crítico para repensar o mundo e como torná-lo um local mais justo e agradável. E tudo isso pode começar (quem diria) na biblioteca mais próxima. Cabe à classe educadora continuar a reivindicação de ambientes de leituras e bibliotecas em 100% das escolas, encontrando a melhor maneira possível de driblar esses e tantos outros desafios da rede de ensino. 

Fontes:

https://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bibliotecas/noticias/?p=27533

https://agora.folha.uol.com.br/sao-paulo/2019/08/1-em-cada-3-escolas-estaduais-paulistas-nao-tem-biblioteca-diz-tribunal.shtml

https://www.tce.sp.gov.br/sites/default/files/noticias/AuditoriaTCESP_UnidadesEscolares.pdf

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm